Passado

A Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho (atualmente Ordem de Santo Agostinho) entrou em Lisboa no ano de 1147, a 25 de Outubro, dia em que entrou na mesma cidade, triunfando sobre os Mouros, o invicto rei D. Afonso Henriques. A primeira fundação teve lugar monte do de S. Gens, hoje conhecido pelo nome de Senhora do Monte. Dois Eremitas, cujo nome se ignora, foram os iniciadores do carisma agostiniano em Portugal.

Com o beneplácito do Bispo de Lisboa, D. Gilberto, fundaram estes dois eremitas o Eremitério de S. Gens. Não tinham uma Igreja, mas apenas um oratório, em que se encomendavam a Deus e atendiam às necessidades da paróquia e dos seus fiéis.

Neste estado foram vivendo os Eremitas de S. Gens, sendo abençoados com inúmeras vocações ao ponto de não caberem naquela casa. Tomaram assim a decisão de fundar o Convento de Santo Agostinho, atualmente conhecido por Convento de Nossa Senhora da Graça, também em Lisboa, onde atualmente funciona o quartel da Graça.

Devido ao grande número de Agostinhos no século XV a Ordem decidiu criar a Província de Portugal no ano 1477. A descoberta de novos mundos nesta época e a presença portuguesa em outros continentes fez com que também os frades embarcassem na aventura da evangelização em terras estrangeiras e longínquas. De facto a Província de Portugal destacou-se pelo grande número de missões em África, Medio Oriente e Ásia, aparte do elevado número de conventos existentes nesta data em Portugal.

A meados do século XVI o Rei D. João III, zeloso pelo bom funcionamento das ordens e congregações religiosas, mandou que a província de Portugal fosse reformada corrigindo assim alguns erros e desleixos que se tinham vindo a dar com o crescimento da mesma. Para este efeito foram enviados pela Ordem dois ilustres religiosos, de grande exemplo, experiência e virtude: Fr. Francisco de Vilafranca e Fr. Luis de Montoia. Esta reforma teve início no Convento de Nossa Senhora da Graça de Lisboa e desde aí estendeu-se a todas as casas da província lusitana. Esta reforma deu grandiosos frutos, permitindo que a vida religiosa agostiniana se renovasse e rejuvenescesse. 

A Ordem floresceu novamente a partir do século XVII e novas fundações surgiram no território português, com um novo ardor apostólico tendo como resultado um aumento no número de vocações. A seguir podemos ver uma lista onde se apresentam todas as fundações da Ordem de Santo Agostinho em território português ao longo da sua história e o ano da fundação:

  1. Vila Viçosa – 1270;
  2. Torres Vedras – 1367;
  3. Santarém – 1376;
  4. Montemor-o-Velho – 1494;
  5. Évora – 1512;
  6. Braga – 1516;
  7. Castelo Branco – 1526;
  8. Tavira – 1544;
  9. Arronches – 1570;
  10. Loulé – 1574;
  11. Leiria – 1576;
  12. Coimbra – 1543;
  13. Porto – 1592;
  14. Lamego – 1630;
  15. Lisboa – 1647;
  16. Penafirme – 1826;
  17. Guarda – 1974;
  18. Arruda dos Vinhos – 1973;
  19. Sobral de Monte Agraço – 1976;

Aparte da forte presença em Portugal a atividade missionária dos Agostinhos foi muito intensa chegando a ter missões em territórios como Quénia, Arábia, Iraque, Geórgia, Paquistão, Índia, Bangladesh, Birmânia, Ceilão, Sião, Malaca e na China.

Todas estas missões se perderam com a supressão das ordens religiosas levada a cabo pelo então Ministro da Justiça, Joaquim Augusto de Aguiar, em Maio de 1834.

No entanto, são grandes as marcas desta atividade missionária, especialmente na Índia onde se encontram inúmeros vestígios da cultura portuguesa e da passagem dos Agostinhos por aquele território.